sounding spaces

página do projecto

Com o expandir das cidades e consequente crescimento físico das mesmas, surgiu a necessidade de pensar o estético no espaço público. Desde sempre a arte pública foi usada como elemento agregador local, da memória colectiva, numa função estética e perene. Hoje em dia, este contexto foi-se alterando e a arte pública surge agora como mais um elemento globalizador que procura o indivíduo em primeira instância.
Surge a arte pública como elemento potenciador da experiência e do indivíduo.
O presente projecto Sounding Spaces, mostra as evoluções sonoras na arte e procura adaptá-las ao contexto de arte pública através da aplicação das potencialidades do uso da interface sonora numa função de ligação do indivíduo ao espaço.
O multimédia e a ligação de realidades à distância são usadas com o objectivo de exploração sonora, apropriação e regeneração do espaço. A tecnologia e toda a problemática da sua utilização no exterior são explanadas no intuito da criação de uma escultura sonora interactiva e uma aplicação multimédia (Sounding Spaces 1.0), que tenha uma função estética e desperte o espectador para o espaço que a rodeia.

Ao reflectir a Arte no contexto do multimédia o pensamento dominante reporta-nos imediatamente para computadores, internet, comunidades. Este projecto pretende dissertar sobre as inter-relações do multimédia e as suas problemáticas mais frequentes de suporte, comunicação e impacto, no contexto específico do espaço público.
O Projecto Sounding Spaces pretende ser uma consequência dessa reflexão e demonstrar relações de exploração artística, sonora e relações quer inter-pessoais quer inter-espaciais.
Este projecto que relaciona espaços físicos com o espaço virtual, tenta demonstrar como o multimédia pode ser importante na ligação de espaços e na própria vivência desse espaço.
A forma de pensar a estética da cidade lança o desafio de como e até onde essa influência pode regenerar espaços e alterar a percepção da própria cidade.

Modelar o som ambiente e alterar a realidade visual que envolve a peça permitem gerar o interesse e proporcionar espaço para a reflexão sobre o ambiente sonoro e visual envolvente.
A degradação da imagem e a transformação sonora servem não só para amplificar a percepção do que rodeia a peça, como, em simultâneo, alterar a própria realidade a ser percepcionada.
O projecto tem uma componente de valorização musical colaborativa e pretende também contribuir para a sensibilização de novas sonoridades aplicadas a um contexto de espaço.
Esta ligação ao espacial está expressa na aplicação informática, que sendo uma interface autónoma, influencia através de uma ligação em rede a peça no espaço abrindo caminho para a comunicação sonora entre dois (ou mais) intervenientes .
Sounding Spaces pretende estabelecer relações sonoras que influenciem o espaço e potenciem comunicação entre indivíduos.

Ao ligar estes dois espaços, tenta proporcionar meios para um diálogo sonoro entre dois intervenientes mas está pensada para permitir a ligação de espaços e múltiplos espectadores.
O protótipo divide-se em duas interfaces de implementação distintas, uma física, a escultura e uma aplicação informática que faz a ponte para a comunicação em rede. Estas duas interfaces criam relações entre si, nem sempre óbvias, que lançam o estímulo para a troca de experiências sonoras idealizada na peça.
A escultura pretende influenciar a arquitectura do espaço, apropriando-se deste e, em simultâneo, reflecti-lo. Isto gera a repetição, serie, feedback, o motivo conceptual do objecto.
A peça, através da tecnologia, apropria-se da sua envolvente visual e sonora e adapta essa realidade, à realidade da intervenção do espectador/transeunte e deixa-se influenciar pela intervenção da aplicação informática à distância.
Esta aplicação funciona como ligação de realidades e complementaridade musical, proporciona e transporta duas referências distintas para uma reciprocidade de preponderância.
O espaço público, através da escultura, transforma-se em influência para a esfera privada de uma aplicação que, ligada em rede e usando um protocolo de transferência de dados entre computadores, pode funcionar tanto na rua ao lado como noutro hemisfério.