ser sónico


video do projecto

É para responder à necessidade de criação sonora conjunta, consciente das partes e de um todo, que se partilha e constrói simultaneamente, que o “formato” performance ganha sentido.
Este “Ser” é constituído por quatro intérpretes e respectivos mecanismos de geração de som. Individualmente valem apenas como sons resultantes de meras experiências isoladas. No entanto, em conjunto, dão corpo e alma a uma composição sonora que encerra em si sons de naturezas muito distintas e os harmoniza. Apresenta-se então como um todo, resultante da relação de “inter-interpretação” e de improvisação dos elementos sonoros, que se compõem e condicionam mutuamente.
O desafio de fundir a simplicidade do acústico; com a plasticidade do electroacústico e o potencial do digital, deu um sentido ao percurso de estruturação da performance.
O “Ser Sónico” é constituído por quatro performers que, integrados num espaço próximo do espectador com um vídeo a decorrer em simultâneo, realizam uma composição com três fontes sonoras distintas. Uma guitarra acústica, uma guitarra electroacústica e um computador.
Os elementos acústico e semiacústico, vão ao encontro de três ideias base: Responder à sonoridade pretendida na performance; servir de elemento integrador, físico e gestual; criar uma identificação dos sons com o imaginário sonoro colectivo.

Controladores Virtuais:

Um controlador está na mão da performer e é constituído por 3 sensores de luz e um microfone, a guitarra virtual é constituída por 16 sensores de luz e 4 potenciómetros colocados sob uma guitarra eléctrica sem cordas nem pik-up.
Os sensores reagem às variações de luz e enviam o sinal analógico para um conversor de sinal eléctrico para MIDI (i-Cube), passando assim a ser reconhecíveis pela unidade de síntese central no computador, através de um interface MIDI.
Os dois controladores comunicavam desta forma com a unidade de síntese central e permitiam que o gesto fosse quantificado através de notas MIDI.
A guitarra virtual só usava este mapeamento para transformar o movimento em sinal sonoro e usava dois módulos de processamento : um de síntese FM e outro de Sampling.
A síntese FM é feita em 16 osciladores digitais, que por sua vez são modulados por 16 osciladores de baixa frequência (LFO), que utilizam os 16 sensores de luz dispostos ao longo do braço da guitarra para modular o som.

A performance decorreu no dia 24 de Abril de 2003 e foi documentada em vídeo.
A análise posterior permite concluir que a peça resultou num projecto artístico significativo. A expressividade musical, o resultado sonoro e a sua integração com a componente visual da peça reforçaram a ideia de resultados adequados ao pretendido.
A reacção de naturalidade do público aos novos controladores abre boas perspectivas para o desenvolvimento de mais experiências, onde os controladores assumam uma postura de integração em formas físicas reconhecíveis .
Criar um sistema modular que pudesse ser adaptado não só permite uma simples reutilização e actualização sonora, como também permite que seja o sistema a adaptar-se à composição e ao músico e não o oposto.